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  • Mari Suter

Mal

Inerente ou consequência: as facetas não tão belas do ser humano são parte da nossa constituição como indivíduos ou fruto do panorama que nos cerca?

Sob o prisma místico, o sapo simboliza a evolução espiritual: do ovo ao girino até chegar a sua forma adulta - nada no Universo é estático, e a gente também muda.


"Eu sou a sombra da voz da matriarca da Roma Negra

Você não me pega

Você nem chega a me ver

Meu som te cega, careta, quem é você?"


PS.: Já prestou atenção na letra dessa música? Então presta.


Durante o meu agradável jantar de Sábado à noite, surgiu um pequeno debate - ao que me consta, dando continuidade a um papo anterior (para vocês verem que o assunto rende conversa mesmo) - sobre qual era a Natureza do Mal. Não teve pouca gente na história da Humanidade que buscou dar seus pitacos a respeito do tema: uma das teorias mais citadas - e talvez uma das mais polêmicas é a da "Banalidade do Mal" da filósofa de origem alemã Hannah Arendt.


A professora mostrou que essa banalidade acontece quando o indivíduo abandona seus valores éticos e morais para se encaixar no padrão de comportamento de uma organização, grupo, governo. São muitos os desdobramentos que essa observação traz, mas voltando ao tema do meu jantar - e desse texto - o que mais me chama a atenção e que acaba passando desapercebido, é o fato de que se o indivíduo abandona algo, é porque aquilo lhe era inerente.


Me explico: foram alguns anos trabalhando com Educação Infantil, e o encantamento de conviver com crianças na tenra idade me fez concluir que o ser humano é essencialmente bom. Há desvios de comportamento? Sim. Mas até nesses casos a ciência mostra como o ambiente exerce fator decisivo no desenvolvimento do caráter, interferindo inclusive na plasticidade do cerébro. A grande questão, na minha opinião, é que essa influência começa ainda muito cedo no desenvolvimento da criança, do bebê mesmo.


A gente esquece que aquele serzinho está aprendendo o tempo todo: mesmo que uma fala, um gesto, um olhar fique guardado no fundo da gaveta do porão da casa de campo, tudo que nos cerca está nos formando, desde muito cedo. Então eu até entendo que o mal possa parecer algo que faz parte da natureza humano, porque já perdemos o traço de onde ele se formou. Mas eu não penso assim: a mim, parece que o mal é pura e simplesmente a ausência do bem - não há consistência em si mesmo. E como aquela sombra que ficou escondida na gaveta, para transformar o que nos parece detestável, basta coragem e boa lanterna.

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