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  • Mari Suter

Criação

Atualizado: 6 de Ago de 2019

Estamos na época da Revolução Humana: o futuro do trabalho será definido pela nossa capacidade de equilibrar a constante (e crescente) evolução tecnológica e o tempo das mãos que ficarão vazias justamente por conta dela.

O medo de substituição da força de trabalho humana por máquinas nos acompanha desde a Europa do século XVIII, ainda assim nunca paramos de trabalhar: fomos nós, inclusive, que idealizamos e produzimos os mecanismos que geraram essas mudanças.

A grande questão nesse momento é compreender a faceta subjetiva do trabalho: a capacidade humana de criar.

São muitas as posições que podem ser extintas nos próximos anos, como mostra o estudo da Universidade de Oxford que debita essas baixas ao uso da tecnologia dentro das organizações. Isso porque a automação toma o lugar das atribuições, das tarefas — mas não do trabalho. E essa distinção é importantíssima.

Autonomia

É ela que nos faz lembrar da importância dos valores humanistas: nada supera a inventividade que todos nós trazemos internamente, mesmo que em latência. Em tempos de inteligência artificial e disseminação global das máquinas, é de extrema importância lembrar que a invenção e o controle dessas tecnologias estão em nossas mãos. Essa é a grande metáfora dessa publicação: o futuro é feito à mão porque ele depende de nós, nós todos.


Nesse contexto é que que se explica a retomada das manualidades: como atividade recreativa, mas também como exercício de reencontro com essa habilidade. Mais até… como oportunidades de nos lembrarmos que Criatividade é ferramenta, acessível a todos e qualquer um. É também uma forma de desenvolver autonomia, visto que ninguém sabe ao certo — embora haja muitas conjecturas — como as diferentes sociedades se comportarão nesse novo paradigma.


O mercado, como entidade subjetiva que é, se comporta de forma a espelhar visões de mundo coletivas: hoje o que se espera dos profissionais atuantes é a adaptabilidade — o contato com as novas tecnologias e, mais do que nunca, o traquejo para transitar pelas multiplicidades que compõem as sociedades contemporâneas. A verdadeira inovação requer a capacidade de analisar e decidir tendo esses dois âmbitos em mente: o avanço tecnológico e a ética humana.


A plasticidade que nos trouxe até aqui como Humanidade — com muitos solavancos, é verdade — me faz ser otimista. Acredito que estamos inaugurando um paradigma em que o “E” substitui o “OU”: dá pra ser solidário e pensar no próprio bem-estar, pra ganhar dinheiro e gerar impacto, ser corpo e ser alma, dá pra ser tecnológico e inclusivo. Para isso, basta lembrar que são mãos as que idealizam, projetam e executam boa parte da realidade que nos rodeia.


Basta lembrar que viver é uma experiência individual, mas que a “ser humano” é um projeto de criação coletiva.

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