Buscar
  • Mari Suter

Gente No Museu

Atualizado: 24 de Jul de 2019

O museu como espaço de convivência e interação.

Você — que vive em São Paulo — já reparou na transformação pela qual o MASP vem passando?

Um dos museus mais famosos do país volta a cumprir o destino idealizado pelos Bo Bardi: reunir gente. As mudanças promovidas para reavivar esse símbolo paulistano passam tanto pela gestão quanto pela curadoria — e ambas são igualmente importantes.

A nova composição administrativa - e a injeção de dinheiro que trouxe consigo - proporcionou uma guinada também na efetiva participação do espaço como veículo de fruição cultural, com seminários gratuitos, descontos, e um dia de entrada livre. O dia é uma terça-feira, em que são poucas as pessoas que podem se deslocar para esse tipo de atividade? Sim. Houve aumento no valor do ticket médio? Sim. No entanto, esse é um processo que precisamos passar para promover a democratização da cultura — a dissolução do dogma que envolve a relação entre dinheiro e arte. Ou simplesmente a quebra da crença de que dinheiro está necessariamente associado a coisas ruins.. mas esse tema merece um texto por si só.


Museus são instituições sociais, esse é um fato — portanto, faz parte da sua natureza mudar de postura e narrativa à medida solicitada por cada momento social. São espaços que precisam tratar dessas questões, sejam elas locais ou universais, admitindo então seu papel proeminente na Educação de uma comunidade.


Esses ambientes e as narrativas que contam podem servir de instrumento pedagógico que nos faça melhores: gerar experiências que mobilizem nossos afetos, nossa forma de pensar, a maneira como agimos de modo a causar transformações a partir do que foi visto, falado, sentido no museu.


Diversidade


Existem muitas histórias e verdades; o museu normalmente conta a história dos vencedores, e só ela. É preciso sacudir esse paradigma. Da mesma forma, existem muitas estéticas: o mundo contemporâneo pressiona o cânone para que se reconheça valor em todas as obras e as culturas que representam — reconhecimento e valorização das diferenças para promover uma boa convivência social.


A Arte é um dos meios mais importantes de manifestação (estética, social, política); tem a capacidade de tratar temas que muitas vezes ficam silenciados; são metáforas que fazem universal aquilo que era particular — proporcionando identificação com o outro, suas histórias, visões de mundo.


O museu pode e deve ser uma ferramenta crítica da sociedade: fazer perguntas sobre os seus valores, as estruturas em que se organiza. Aqui, vemos tanto a capacidade humana de criar Beleza quanto as motivações maléficas que nos permeiam. É preciso fazer questionamentos existenciais, emocionar as pessoas — afinal de contas, ainda somos os melhores professores uns dos outros, porque espelhos.

3 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo

Mal