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  • Mari Suter

Mi casa, su casa

Essa é uma metáfora antiga, uma alegoria que serve para nos fazer pensar sobre os mais diversos temas: a casa.

Colorida, sóbria, moderna, sobrado, térrea, ventilada, cheia de muros, modesta, antiga, luxuosa.. na praia, na montanha, no centro de São Paulo. Onde fica a sua casa?


"Eu quero uma casa no campo Onde eu possa ficar no tamanho da paz E tenha somente a certeza Dos limites do corpo e nada mais"

As janelas são os olhos, a porta representa a boca: pronto, a casa é uma pessoa. "Quem não tem teto de vidro, que atire a primeira pedra": bum, a casa e a ética. "Essa daí leva qualquer um pra casa": temos casa e a moral. "A fulana é de casa": casa e familiaridade. "Casa grande e a senzala": casa e sociedade.


Como boa canceriana, sempre gostei de casa: de ficar em casa, de receber em casa, de cuidar da casa, mas até chegar a Lisboa nunca tinha de fato experienciado ter uma casa; tive a casa da família, a república das irmãs Suter, o quarto como estudante em país estrangeiro, a casa compartilhada com a mãe. Mas a sensação de estar em um espaço e sentir que ele me pertence, isso não tinha acontecido, e me fez pensar.


E sentir. Aqui é onde eu quero chegar. Escolher os itens de decoração, como você arruma a geladeira, que dia vai dar aquela bela faxina... tudo isso fala muito do funcionamento prático de uma casa, mas diz bastante sobre quem você quer ser no mundo: como ser social, indivíduo, como alma em última instância. "Ai, Mari.. cê não tá forçando um pouco a barra?". Pode até ser.. não tenho certeza, mas esses meses me fizeram ver que a casa que a gente escolhe, ou a que a gente pode escolher, mexe com a gente de muitas maneiras.


Se a casa for alugada, seu espaço de manobras para mudanças é limitado, mas dá pra trazer umas plantinhas, e se você for um dos privilegiados que tem casa própria, poder escolher cada mínimo detalhe do espaço que vai te acolher. Se a casa for a coordenada geográfica que te mostra como ponto do Google Maps, pode pensar como as suas escolhas de consumo afetam as estatísticas socioeconômicas.


Se a casa for o corpo que acolhe sua alma, você pode decidir o que coloca pra dentro pela boca ou como mexe os ossos e músculos que servem de estrutura pra sua engenharia pessoal. Se a casa for você, que cheia de cômodos faz caber alma, espírito, mãe, filho, esposa, amigo, cidadão - pensar e escolher (?) como cada uma dessas instâncias se relaciona.


Esse texto vai sair sem grandes insights porque confesso que ainda estou processando as informações e sensações que essa tema me traz. A única coisa que eu sei, é que toda manhã quando eu acordo uma voz me pergunta: "Tem alguém em casa?".

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