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  • Mari Suter

Tecnologia Social

“Pessoas pequenas em lugares pequenos fazendo coisas pequenas mudarão o mundo”.

O provérbio sul-africano nos fala da autorresponsabilidade — palavrinha que o corretor automático de texto grita de espanto, e me faz lembrar da oportunidade que a língua nos oferece de construir a realidade mais do simplesmente nomeá-la.

Esse termo ainda pouco usado porque pouco frequente em nossas interações, me lembra que para manter os vínculos coletivos que nos alçaram ao status de espécie dominante é necessário que nos tornemos conscientes da nossa importância como indivíduos para o sistema.

As chamadas tecnologias sociais são métodos, produtos e serviços que facilitam o encontro de muitos “uns” de modo a promover um desenvolvimento sustentável — aqui vale um lembrete para quem só pensa em meio-ambiente quando ouve esses fonemas: sustentabilidade tem a ver com manutenção ao longo do tempo, o que abarca uma série de temas, inclusive a vida humana.


Unimultiplicidade

Quando falo de responsabilidade individual, falo sobre a potência que uma força não hegemônica pode exercer sobre um grupo de pessoas; falo sobre a chance de usar o botão de zoom pra dentro e para fora; falo sobre a percepção de que a gente pode ser mais de uma coisa ao mesmo tempo — é possível pensar em si mesmo e no bem-estar coletivo concomitantemente: aliás, se a gente refletir com calma, esse é o melhor caminho como espécie e como indivíduo.

Se perceber sujeito merecedor de direitos mas também responsável por deveres é, ao meu ver, a única forma de nos mantermos vivos (com qualidade) a longo prazo. O modelo de vida atual nos diz, mesmo em silêncio: “Sempre avante!” E eu te pergunto: Mesmo que a visão seja a de um precipício?


Essa visão de mundo se aplica à nossa relação intrapessoal — corpo, mente, emoções — às interações íntimas que mantemos no cotidiano, aos vínculos profissionais que firmamos corriqueiramente, à vida cidadã. Não à toa vemos a ampla contestação do modelo de Democracia Representativa: o ser humano está passando por um processo interno de reforma — ninguém defende nossos próprios interesses como nós mesmos; a verdade é que somos inúmeros governos com corpos diplomáticos bastante diversos mas com o mesmo interesse em comum, existir.

São muitos os movimentos reforçando a percepção de que somos nós, nas 24h que o dia oferece, na reciclagem dos resíduos que geramos, na tão mal falada reunião do condomínio, no banco por trás do volante, nas consultas públicas do município, no dia de escolher candidato, nos conteúdos que escolhemos criar ou compartilhar na Internet; somos nós que construímos a Vida.

Tudo isso pra dizer que a gente não muda o mundo, a gente não engaja ninguém, a gente não revoluciona nada se não estiver disposto a abrir mão de certas comodidades — sejam elas emocionais, físicas ou financeiras. A famosa e sonhada liberdade vem de mão dada com a responsabilidade. Vem junto no combo. Embaladas no mesmo pacote. Parecem contraditórias, mas são complementares: tipo os quase 8 bilhões de síndicos do tal planeta cheio de água, que a gente chama de Terra.

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